Senhas

on l'éc(ri)ture

Sobre senhas...

– Ô de casa? – Quem é? – Sou eu? – Eu quem? – Fulano, não reconhece minha voz não é? – Ah, é você Fulano, entra aí…”

Pode não parecer, mas este diálogo é uma versão analógica de um processo digital muito comum, porém pouco cuidado pela maioria dos utilizadores de computador: a autenticação. Em informática, autenticação é, em resumo, um nome bonito para prova de identidade, ou seja, aquele velho e conhecido processo de digitar o login e a senha (...).

Como no diálogo acima, onde alguém precisa provar sua identidade para ter acesso a determinado lugar, precisamos provar quem realmente somos para poder entrar em determinados sites e ter acesso aos seus recursos, como o Facebook, por exemplo; que inclusive tem seus dados de acesso usados em outro sites, o chamado login social.

O problema é que nem os utilizadores, no geral, nem o Facebook, especificamente, demonstram preocupações com a segurança dos processos de autenticação. A gente até diz que não temos nada a esconder e isso é tolerável, mas a empresa de dados ser denunciada por salvar as senhas de suas vítimas (...) em (acreditem!) texto puro! Uma irresponsabilidade...

Claro que já existem outras (...) maneiras de se autenticar, mas por enquanto, o esquema feijão com arroz (...) ainda é (...) o mais usado. Então, como criar boas senhas? Este texto é sobre isso.

– Besteira! Não preciso desse negócio de criar senhas, escrevo tudo no papel e depois…

E depois esquece onde guardou e perde tudo, eu sei, lembro bem como é…

Mas, o que é (...) uma boa senha? Apesar de ser uma noção intuitiva, essa pergunta é importante porque um dos grandes motivos do nosso esquecimento de senhas tem a ver justamente com parte de sua definição. Basicamente, uma senha é uma palavra ou código secreto e uma boa senha deve (...) ser também inesquecível.

Atualmente, os serviços que impõe algum processo de autenticação exigem senhas fortes, ou seja, para se considerada uma boa senha, elas devem ter pelo menos caracteres especiais e alfanuméricos em maiúsculas e minúsculas; daí a nossa dificuldade em memorizá-las.

Ora, se esta combinação é o ponto fraco de nossa memorização, a sugestão que proponho para a criação de senhas fortes é o uso de esquemas mnemônicos (...) com prefixos (...), infixos (...) e sufixos (...). Vou exemplificar com senhas antigas.

Quando eu era cozinheiro, além de trabalhar em outra língua (...), tinha acesso a uma gama de nomes de receitas e alimentos que geralmente são desconhecidos por quem não é da área. Naquela época, eu usava um prefixo com o nome de alguma erva em língua francesa, um infixo com algum caractere especial, seguido do nome da página em questão iniciada em letra maiúscula e por fim, um sufixo com o ano corrente da criação da senha. Não acompanhou o raciocínio? Se liga nos exemplos.

Senhas já usada nos sites Orkut, MySpace, Blogspot, Yahoo:

romarin*Orkut2006
romarin*MySpace2006
romarin*Blogspot2006
romarin*Yahoo2006i

thym/Orkut2007
thym/MySpace2007
thym/Blogspot2007
thym/Yahoo2007 

Em resumo: [erva, iniciada com letra minúscula] + [símbolo especial] + [Nome do site, iniciado com letra maiúscula] + [ano].

Capitou? Uma senha tem que ser difícil para quem quer tentar descobri-la (...), mas fácil para seu criador. E uma das maneiras de criar senhas inesquecíveis tem a ver com torná-las significativas para quem as cria; lembrando que isso é um processo subjetivo. O esquema acima era significativo para mim, porque eu usava uma palavra associada ao meu trabalho, um símbolo especial qualquer, o nome do site que eu acessava e por fim o ano em que me encontrava quando criava a senha; esse esquema mnemônico eram os pregos de minha memória.

Mais uma vez, a fórmula pode ser:

Prefixo (nome significativo iniciado em minúscula) + símbolo especial (com alguma relação eufônica ou visualmente associado com o prefixo) + nome do site (primeira letra maiúscula) + ano de criação da senha (no formato desejado).

Eu digo “a fórmula pode ser” porque o ideal é que cada um crie seus próprios esquemas significativos, o modelo apresentado serve apenas como base e pode (...) ser totalmente subvertido de acordo com interesses pessoais, basta modificar a ordem, por exemplo; o limite é a imaginação (...)!

Por fim, esta é uma sugestão para quem não quer usar os gerenciadores de senha (...).

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